Oświęcim, entre Auschwitz I e Birkenau
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Durante dois anos esta foi a principal rampa de descarga de todo o complexo. Hoje há nela um só vagão e não há ninguém.
A rampa foi construída no ramal de mercadorias da estação de Oświęcim, a meio caminho entre o campo principal e Birkenau. Da primavera de 1942 a meados de 1944 pararam aqui transportes de toda a Europa ocupada: de França, dos Países Baixos, da Bélgica, da Grécia, da Eslováquia, da Hungria e dos guetos da Polónia. As pessoas saíam dos vagões diretamente para o balastro, entre duas vias, e aqui, a céu aberto, passavam pela seleção.
A escala deste lugar custa a assimilar. Por esta rampa passou a maior parte dos transportes em massa de judeus enviados para Auschwitz no período em que o campo funcionou com mais intensidade. Só em maio de 1944 os alemães levaram as vias para dentro de Birkenau e a Judenrampe perdeu importância. As fotografias que o mundo inteiro conhece foram tiradas já naquela rampa nova, dentro do campo. A Judenrampe ficou fora do enquadramento e fora da memória.
Hoje é uma faixa de gravilha entre as árvores, com dois troços de via e um vagão de mercadorias original. Fica a quinhentos metros em linha reta do portão de Birkenau e a quilómetro e meio de Auschwitz I. Todos os anos passam por ali mais de um milhão de pessoas a caminho do Museu e quase ninguém para. Todos os nossos programas começam aqui, porque sem a rampa o resto do dia não tem ponto de referência.
Foto: Auschwitz Subcamps. Descrição própria, com base em documentação de campo, em materiais do Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau em Oświęcim e em estudos históricos.
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